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Férias


A palavra férias vem do latim feria que possuia o significado de dia de descanso do trabalho pela vontade dos deuses. Os judeus preferiam o termo sabbath, para designar descanso.
Para eles o descanso, o repouso era sagrado, porque era uma orientação divina. Deus, segundo Gênesis 1,2, depois de criar o mundo "descansou" no sétimo dia. Portanto, atividades que fugissem a esse entendimento eram condenadas. O descanso deveria ser uma forma de contemplação das nossas obras, uma forma de louvor e agradecimento pelo dom da vida.

No tempo de Jesus, o judaísmo dominante dos fariseus era extremamente legalista e acabou perdendo o sentido profundo do termo sabbath, visto que a representação do dia era mais importante do que a própria vida. Por isso Jesus reprovou os fariseus e seu legalismo absurdo.

Em tempos de "glorificação" do trabalho o termo descanso, repouso sempre foi visto com desconfiança. Na tradição puritana até quando "descansava", o cristão deveria estar trabalhando para a glória de Deus. A importância do culto formal seria central nessa experiência religiosa e toda forma de entretenimento vigiada, sendo muitas proibidas.

Hoje o caminho da falta de trabalho tem exaltado o ócio. A idéia de descanso, repouso perde força pela ausência do trabalho. Junto com o ócio afirma-se crescentemente a idéia do prazer, da curtição, do deixar acontecer.

Descansar, segundo a percepção contemporânea seria usufruir de toda forma de prazeres. O que na maioria das vezes, ao contrário do que se espera, acaba produzindo mais cansaço e fadiga. Quem nunca voltou de férias com aquele sentimento desconfortável de cansaço, fadiga?

Talvez precisamos recuperar o sentido hebreu do termo repouso, descanso para entendermos o sentido da própria vida. O descansar estaria sempre ligado às nossas ações cotidianas e à constante reflexão sobre elas. Nossa vida precisa valer mais do que "um dia de prazer". Nossa "parada" precisa relembrar a ação de Deus no mundo da natureza e dos homens unificados pela misteriosa bondade do criador.

Que nas nossas "paradas" possamos entender o sentido de nossas ações, recuperar o fôlego necessário às nossas atividades cotidianas e o refrigério físico e mental para alcançarmos o equilíbrio físico, social e espiritual tão necessários à nossas vidas!

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